Diário![]() 21/10/2009 15h57
IV - Um pouquinho de Mara
Mara
Bom isso não aconteceu afinal o sonho é para todos, mas a realidade do sonho nem sempre, acabei tendo que parar de estudar para trabalhar sem nem ao menos ter o gostinho de chegar à quarta serie. Parece triste? Era sim, pois eu chorava todos os dias e já nem lia poesia nem gibis. Afinal ler pra que? Pra levar cachorro na rua? Cuidar de crianças? Receber broncas por sonhar? Todos os meus gibis, meus livros de poesia e meus prêmios por melhor aluna foram todos queimados em um dia que a luz faltou, afinal o povo precisava estar no claro e eu já não podia sonhar tinha mesmo que trabalhar, mas não era boa nisso de ser quase escrava, era péssima nos afazeres domésticos, queimava a comida, manchava as roupas e tinha uma fome voraz. Tudo que os patrões odeiam é que seus empregados comam muito. Bom eu até que tentava não comer, mas a fome era tão grande e quando não comia sentia uma dor insuportável e acabava comendo e como não bastando tinha que me proteger durante as noites tinha que me esconder trancando a porta do pequenino quarto com a tábua do ferro para não ser usada pelos patrões ou seus filhos. Em uma noite tive que dormir na cozinha, pois minha irmãzinha foi passar um dia comigo e como não havia ninguém em casa me senti segura, mas der repente durante a madrugada acordei com um homem passando algo em minhas pernas... Bom, por muito tempo fiquei me perguntando o porquê dele querer me depilar? Tão bobinha eu ainda era, pois hoje sei que ele estava se masturbando encima de mim e aquilo não era produto para depilação. Obs. Alguns detalhes optei por omitir, pois ficaria bem pesadinho o textinho. Publicado por Mara Roubert em 21/10/2009 às 15h57
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III - Um pouquinho de Mara
Mara
Criança esperta, nas ruas aprende muito e principalmente como sobreviver e foi num desses momentos de aprender que tive contato com o Mobral, Foi muito difícil de inicio desenhar de forma corretinha as ondinhas, os círculos e finalmente as letras. Nossa! Como foi difícil! Precisei de toda paciência do mundo para não brigar com tantos velhinhos que desejavam como eu aprender, mas eu como criança aprendia de forma acelerada, porem tinha que esperar o tempo deles e esperar eu não conseguia. Fiz amizade com a professora que me deu aulas particulares de graça na casa dela, além lógico do delicioso lanche. Com ela aprendi a escrever e em seis meses já estava cursando a terceira série do primário, mas com o desejo crescente de já terminar o cientifico e realizar o meu sonho de ser médica e acabar com o câncer no mundo, afinal foi o que tirou o meu pai de mim. Longe ainda do final... Publicado por Mara Roubert em 21/10/2009 às 15h24
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II - Um pouquinho de Mara
Mara
Em outro belo dia nos jardins da Quinta, vi um homem lendo um livro bem velhinho um livro preto que me chamou a atenção estava escrito na capa Sonetos Completos de Antero de Quental, fiquei apaixonada pelo livro de tal forma que o homem se emocionou e sem dó me ofereceu o livro, mas me fez dois pedidos: Eu para ter o livro teria que ler um soneto para ele, coisa que fiz de imediato o outro infelizmente não pude cumprir. De nunca perder tal livro, que foi colocado no fogo por alguém que não entendia o valor de tal objeto. Bom... Voltando ao assunto, daquele dia em diante a poesia passou... Fazer parte da minha vida, fui deixando os gibis no cantinho. Lia todos os livros de poesia que encontrava no lixo (O lixo de Copacabana daquela época era bem rico de cultura) Livros que eram guardados como verdadeiros tesouros. Ou nas exposições de algumas escolas públicas, afinal nas particulares eu não era bem vinda. Final? Nada disso tem muito mais... Publicado por Mara Roubert em 21/10/2009 às 15h17
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Um pouquinho de Mara
Mara
Em um belo dia, sentada na pracinha vi uma menina lendo um gibi, era um gibi do tio Patinhas. Ela me perguntou: - você quer ler? Respondi cheia de vergonha: - Não enxergo bem, você pode ler pra mim? Mas na verdade eu ainda não havia aprendido a ler nem escrever, dei apenas uma desculpa para camuflar a vergonha que sentia. Desse dia em diante ela lia sempre os gibis, fui aprendendo o som de cada palavra até o dia em que li sozinha. Nossa! Eu sabia finalmente ler gibis, qualquer gibi. Esse foi um pequenino resumo da minha história com minha única amiga da infância (Maria Alice) Te falei que te amaria p´ra sempre. Fim...? Nem pensar isso é apenas um pedacinho. Publicado por Mara Roubert em 21/10/2009 às 15h14
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